Morrigu – O corvo da batalha

Morrigu

Morrigu é a Deusa celta da guerra, da vingança, da morte, do renascimento, do destino, da mudança e da justiça. É a protetora de todas as sacerdotisas e a que impulsiona os guerreiros para suas vitórias ou derrotas.

Há evidências arqueológicas do culto a Morrigu desde a Era do Cobre nas regiões da Espanha, da França, de Portugal, da Inglaterra e da Irlanda. Inúmeras esculturas de uma mulher com uma cabeça de corvo, gralha ou falcão foram encontradas em sítios arqueológicos dessas regiões, e o corvo é um animal sagrado de Morrigu por excelência. Essas imagens mostram uma distinta associação com a guerra e indicam uma direta função de guerreiras, mostrando associações com a proteção, fertilidade e personificação da Terra como Deusa da Soberania. Ela é uma Deusa cultuada por toda a Europa sob diferentes nomes: foi chamada de Morrigan, Morgan, Morgana e Cathuboduwa. Provavelmente Morgan le Fay, considerada irmã do Rei Arthur nos mitos arthurianos, seja um dos inúmeros nomes pelo quais ela foi conhecida entre os galeses. Seu nome etimologicamente vem da combinação do gaélico mór, que significa “grande”, e righan, que quer dizer “rainha”, ou seja, Grande Rainha, o que indica que ela foi uma Deusa de muita importância entre os povos celtas.

Morrigu era tida como uma Deusa que fazia o transporte entre  a vida e a morte, uma Deusa pássaro e uma Deusa do outro mundo. A função de Morrigu claramente não era uma só, mas muitas, o que nos faz acreditar que ela acabou sofrendo uma fusão com atributos de inúmeras Deusas celtas menores.

As Deusas irlandesas da guerra são muito interligadas umas com as outras e, como todas as Deusas celtas, Morrigu possui três aspectos distintos. Isso lhe conferiu o título de “As fúrias da Batalha”, momento em que a Deusa aparecia com suas duas outras irmãs. Elas têm muitas caracteriscas em comum, mas mostram uma função especial que as distingue uma da outra. Cada uma delas exerce uma particular magia ou poder sobrenatural. Ela é Badb, o corvo da batalha, aquela que sobrevoa o campo de batalha. É ela que canta a morte dos bravos guerreiros. É ela que leva a alma ao caldeirão do renascimento. Muitas vezes este aspecto de Morrigu é visto como uma donzela.

Macha, a égua, é a face mãe de Morrigu. Nemhain, a Fúria, representa a face anciã de Morrigu. Ela é muitas vezes representada como a “Lavadeira do Vau”, uma figura sombria de uma velha que lava roupas manchadas de sangue no vau dos rios. Um guerreiro que visse essa aparição antes de uma batalha sabia que tinha chegado a sua hora. Nesse aspecto Morrigu coloca a fúria no coração dos guerreiros e também governa o exército do sacerdócio. Ela inspira seu conhecimento e sabedoria para todos os que ousam desafiá-la e estão prontos para aprender.

Não existem muitas histórias sobre a origem de Morrigu. Alguns historiadores dizem que ela era conhecida como Moirah quando os Dannans desembarcaram na Irlanda. Era vista como uma Deusa donzela, que tinha suas próprias opiniões, que se apaixonou pelo jovem Dagda. Ela engravidou, mas como as águas do rio estavam sob os domínios dos Fomorianos, ao finalmente dar á luz seu filho Mechi nasceu com três cabeças e desformado. Os druidas o sacrificaram para preservar seu povo, pois o recém-nascido seria o futuro rei e segundo a lei céltica um rei deformado ou mutilado não poderia governar. Com isso Moirah foi esconder-se na floresta. Ela permaneceu escondida durante muitos anos até que um dia surgiu usando uma capa com penas de corvos, duas espadas e com a habilidade de mudar de forma, Era uma grande guerreira habilidosa e nenhum homem ousava opor-se a Moirah, agora aconhecida por um novo nome, Morrigu.

Alguns historiadores alegam que a união de Dagda e Morrigu ocorreu em Samhain, antes da batalha que conduziu os Tuatha de Dannan à vitória contra os Fomorianos, que os dominavam. Quando Morrigu se uniu sexualmente com Dagda, o líder dos Tuatha, isso representou a união do Rei com a Terra, pois só dessa forma seria possível se fortalecer para vencer. Qualquer homem que quisesse obter sua ajuda deveria ter relações sexuais com ela primeiramente e deveria ser feito com soberania e se ele recusasse este avanço jamais seria digno de governar a Terra.

Lugh também foi considerado um dos consortes de Morrigu. Ela aparecia  frequentemente nos mitos, na forma de corvo, sobrevoando Lugh e lhe dirigindo incentivos de força e segurança para que lutasse bravamente conta os Fomorianos. Ela tentou seduzir Cuchulain e quando ele a desprezou Morrigu passou a persegui-lo de várias formas; finalmente, ao conseguir matá-lo ela apareceu em seus ombros como um maldoso corvo.

Morrigu aparece frequentemente associada às Bansidhe ou na forma de uma delas. As Bansidhe são seres míticos dos povos celtas que se aproximavam dos seres humanos para avisar a morte iminente de pessoas queridas com seus gritos e choros através das noites. Elas eram descritas como mulheres vestidas de verde, com os pés vermelhos, uma narina e um dente. Tinham longos seios caídos, e dizia-se que aqueles que conseguissem mamar em um deles teriam seus desejos concedidos por elas se pudessem responder às três questões que fizessem. Isso simboliza que o mesmo que traz a morte é o poder que nutre, gera e sustenta a vida.

O corvo aparece frequentemente associado a Morrigu, e ela inclusive pode assumir a forma física de um por meio de seus poderes mágicos. É interessante perceber que o corvo não causa a morte de ninguém, mas come e transforma o corpo, assim como Morrigu. Ela não é a morte em si mesma, mas aquela que traz a morte e a transformação por meio dela, comendo e sendo comida.

Sendo uma Deusa do destino, da morte, do renascimento, da guerra, Morrigu assume o papel de uma Deusa Negra e por isso é cultuada nas sombras e em períodos de Lua Nova. como todas as Deusas Negras, Morrigu é muito mal interpretada. Ela é aquela que traz conforto aos mortos e aos sobreviventes. Ajuda-nos em todos os momentos de mudanças, seja pela morte de um familiar, seja pela perde de um emprego, por um acidente ou por qualquer tipo de perda ou fim.

O povos célticos acreditavam que quando vemos corvos, Morrigu está por perto. Muitos vêem isso como um sinal de morte, mas também pode ser interpretado como sinal de mudança e a necessidade de buscar força. Ela pode ser a mais fiel amiga ou a mais terrível inimiga.

Morrigu é a personificação da própria Terra, por isso um de seus símbolos é o triângulo invertido, o símbolo deste elemento. Ela é a tripla origem do poder do nascimento, da vida e da morte e a força necessária para regenerar estes ciclos.

Correspondências:

Como conectar-se com Morrigu:

“Deixe uma pena de corvo tomar a luz da Lua Nova, recolha-a antes de o sol nascer. Passe a pena na fumaça de um incenso de sangue de dragão, pedindo que Morrigu lhe proteja, e afaste de seu caminho todos os perigos e traga proteção. Amarre a pena com uma fita preta em uma árvore bem bonita como oferenda a Morrigu. “

Animais: Corvo, Gralha, Enguia.
Planeta: Marte
Elementu: Terra
Lua: Nova e Minguante
Cores: Preto, roxo e prata.
Comida: Vinho, carne e mel.
Incenso: Absinto.

Fonte: http://www.oldreligion.com.br/novo/conteudo/index.asp?Qs_idConteudo=12
http://caillean333.blogspot.com.br/2008_05_01_archive.html
http://alcateiasite.blogspot.com.br/2012/07/deusas-negras-cerridwen.html
http://3fasesdalua.blogspot.com.br/2011/09/deusa-e-santa-brighid-brigid-ou-brigit.html
http://www.mitologiacelta.templodeapolo.net/ver_divindade.asp?Cod_seres=137&value=Cernunnos&cat=Deus&topo=
http://mundodemorrigan.blogspot.com.br/2012/10/morrigu-morrigan.html#.UdDcyPm1Hzw
http://www.templodeavalon.com/modules/mastop_publish/?tac=Deuses_Celtas
http://www.mitologiacelta.templodeapolo.net/ver_divindade.asp?Cod_seres=143&value=Lugh&cat=Deus&topo=
http://naturezadeluanegra.blogspot.com.br/2012/11/deusa-celta-irlandesa-dagda.html
http://elisabet-oliveira.blogspot.com.br/2011/01/badb.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Macha_(mitologia_da_Irlanda)
http://bruxarianaserra.weebly.com/macha.html
http://flavyr.blogspot.com.br/2012/05/deusa-macha.html
http://mitoemitologias.blogspot.com.br/2012/08/morrigan-rainha-das-trevas.html

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